

Ela estava do outro lado, esperando o sinal abrir para atravessar a rua. Usava um vestido floral, botas e lágrimas. Bonita, a moça. Aquele canalha insensível do namorado tinha terminado com ela depois que ela descobriu que há algum tempo ele a traía. Todas as juras, todo carinho, todas as noites, tudo aquilo não valia mais nada. Agora ela tinha os olhares solidários dos passantes, a tristeza, o vestido floral, botas e lágrimas.
Ela estava do outro lado, esperando o sinal abrir para atravessar a rua. Ou não. Não sabia mais onde queria ir. Tinha perdido o rumo. Usava um vestido floral, botas e lágrimas. Bonita, a moça ruiva. E tão triste. Tinha recebido há pouco a notícia de que sua mãe tinha uma doença grave. Pensar em perder sua mãe doía uma dor sem nome. E a fazia sentir tão órfã, tão sozinha, tão vazia. Antecipadamente, parecia ter perdido tudo. Agora só tinha os olhares solidários dos passantes, essa tristeza doída, vestido floral, botas e lágrimas.
O sinal abriu. Ela passou por mim. Levou meu olhar solidário. E deixou comigo essa história sem nome.
E eu aqui deste lado, cachecol listrado, sem botas e em lágrimas, lendo essa obra de arte em palavras.
ResponderExcluirQue lindo! Muito bom.
Nos perdoe o "bolo" deo dia 8!
Felicidades Sempre!
Abraços,
Juninho
Estou apaixonada pela pessoa que escreveu esse texto...
ResponderExcluirPAULO VOCÊ ESCREVE LINDAMENTE, GOSTARIA DE TER MAIS ACESSO A VOCÊ, CONHECER-TE MAIS, PARECE SER UMA PESSOA INCRÍVEL.
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