Mostrando postagens com marcador Outras palavras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Outras palavras. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de junho de 2012

Ela estava do outro lado, esperando o sinal abrir para atravessar a rua. Usava vestido, botas e lágrimas. A moça. Demitida assim, por um erro banal. Achava que era mesmo implicância daquela chefe que acabara de destruir alguns planos dela. Planos desfeitos, restaram olhares solidários dos passantes, o vestido, botas e lágrimas.

Ela estava do outro lado, esperando o sinal abrir para atravessar a rua. Usava um vestido floral, botas e lágrimas. Bonita, a moça. Aquele canalha insensível do namorado tinha terminado com ela depois que ela descobriu que há algum tempo ele a traía. Todas as juras, todo carinho, todas as noites, tudo aquilo não valia mais nada. Agora ela tinha os olhares solidários dos passantes, a tristeza, o vestido floral, botas e lágrimas.

Ela estava do outro lado, esperando o sinal abrir para atravessar a rua. Ou não. Não sabia mais onde queria ir. Tinha perdido o rumo. Usava um vestido floral, botas e lágrimas. Bonita, a moça ruiva. E tão triste. Tinha recebido há pouco a notícia de que sua mãe tinha uma doença grave. Pensar em perder sua mãe doía uma dor sem nome. E a fazia sentir tão órfã, tão sozinha, tão vazia. Antecipadamente, parecia ter perdido tudo. Agora só tinha os olhares solidários dos passantes, essa tristeza doída, vestido floral, botas e lágrimas.

O sinal abriu. Ela passou por mim. Levou meu olhar solidário. E deixou comigo essa história sem nome.

domingo, 25 de março de 2012

NOSSO ESTRANHO AMOR

Já repararam em como tem um tanto gente reclamando da solidão? Querendo achar a goiabada pro seu queijo, a tampa pra sua panela, o guaraná pra sua pipoca, o granulado pro seu brigadeiro? Como explicar tantas pessoas querendo a mesma coisa e elas não se esbarrarem por aí? Que diacho de análise combinatória é essa que não dá certo?!

Um dos meus palpites é que nestes tempos ciberneticamente rápidos, as metralhadoras giratórias disparam freneticamente sem observar de verdade o alvo. Saciam-se os desejos e alimentam-se os vazios. E, ainda, parece que não queremos dispender muito tempo nem paciência pra nos envolver afetivamente com o outro. Se afetar com outro. Imagina então o ônus que seria viver uma história de amor.

A Clarice disse que amor não é prêmio e por isso não envaidece. Talvez seja mesmo preciso ficar nu para viver o amor. Tirar a roupa pode ser a parte mais fácil. Difícil mesmo é desnudar-se. Nu. Apenas com nossa beleza e nossa feiura mais autênticas. Temos tempo e disposição pra administrar essa nossa humanidade toda? Definitivamente, o amor suja as mãos.

Ainda sim, sou um romântico incurável (e um pouco cafona, por isso). O amor dá trabalho sim, (não há como fugir disso), mas também pode te fazer tão melhor. E olha que não tô falando de um amor desses de cinema não. É desse amor do dia-a-dia mesmo. Que vai ao banco, toma neosaldina e come pizza dormida. Que tem tesão, assanhamento, safadeza e também um cafuné distraído no cabelo. Que te manda uma mensagem no meio do dia e que também quer ficar sozinho nessa sexta, simplesmente porque quer. Que te detesta quando você rói a unha e se derrete quando você dá aquela sua gargalhada esquisita. Que teve um dia péssimo no trabalho hoje e está irritado, mas que amanhã passa. Que fica engraçado quando eventualmente está de mau humor, mas que tem humor, porque isso é indispensável. Que foi tão inesperado e que é muito e tão bem vindo.

Tem quem não me deixa mentir: Vinicius foi, no reveillon, ver os fogos em Copacabana, mas quem brilhou mesmo foram os olhos da sua paixão. Nádia deu voltas longas em torno da Terra e encontrou o homem da sua vida e o pai da sua filha no amigo da mesa ao lado, no trabalho. Juninho teve um mal súbito na Praça Sete e quem o socorreu o acompanha pela vida afora. Não é história de filme e nem acontece pra todo mundo, mas existe amor. Com seus ônus e seus bônus. De verdade. De realidade.

Desconfio que, mais cedo ou mais tarde, ele aparece pra quem consegue se desnudar. O amor, esse difícil estranho, está a espreita pra quem tem olhos atentos para vê-lo.

sábado, 3 de março de 2012

ONDE O OCULTO DO MISTÉRIO SE ESCONDEU

Reza uma lenda que você nasceu das lágrimas de uma índia que chorava a saudade do seu amor. Vai ver é por isso, rio, que carrega tanta emoção, tanto mistério. Vai ver é por isso que me comove tanto você. Meu São Francisquinho, nem fui ribeirinho, mas hoje sou seu devoto. Potência da natureza. Potência D’oxum, Mãe d’água e Cabloco. Impreciso, te naveguei por cânions. Te naveguei até a foz, encantado. Não restou dúvidas. Logo que te vi constatei: esse rio não sai mais de mim.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

ENCANTO

“Inverno primavera poeta é quem se considera” já disse o Leminski. Uma música, um pé de jabuticaba florido, uma palavra pedindo pra nascer, os meninos brincando nas fontes da praça, esse estranho que acaba de passar por você, o caos iluminado da cidade, o casal apaixonado de mãos dadas, a mão naquilo, aquilo e por aí vai… Ordinário é fazer vista grossa pra isso e tudo mais. Extraordinário é ver beleza, magia e poesia nas coisas mais simples e tirá-las da sua banalidade através de um olhar poético. Exercitemos nosso olhar poético! Eu acredito que tem encanto em todo canto. Estamos cercados de poesia. Façamo-as!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ADIEU 2011

Inevitável fazer um balanço do ano que passou, né não? É bom ver tudo o que valeu a pena. O que já não importa mais. O que merece seguir viagem com a gente ou o que precisa ficar pelo caminho.

Dando uma olhadinha pra trás, eu tô agradecido pelo ano. Coisas muito bacanas me aconteceram (e chateações fazem parte de qualquer pacote). Eu corri (e dancei) por esse 2011 afora e encontrei tanta gente bacana que agora vai comigo, mas, mais que isso me encontrei um pouquinho mais comigo mesmo (por mais que isso pareça uma citação saída diretamente do último best-seller de autoajuda).

Pra coroar essa etapa, terminei o ano (e comecei o novo) com braço esquerdo todo engessado (por causa de uma traquinagem boba). Exercício grande de paciência e humildade. (Tá bom! Tá bom, pessoal! Eu já entendi! Agora posso tirar o gesso?) Fato é que pensei muito sobre isso mesmo. Felizmente não sofri nenhum acidente grave, mas mesmo assim, fiquei mexido e pensando sobre como somos frágeis, como precisamos do outro, como somos (em alguma instância) todos iguais... Au-devant!

A despeito disso, tenho muito que agradecer pelo que passou (e pelo que virá – e vai ser muito bom!). Agradecer. Agradecer. Agradecer. Aos que sempre estiveram por perto, aos que passaram e deixaram marcas e aos que vão seguir comigo. Fica aqui minha gratidão!

Quando fiz aniversário em 2011, um amigo perguntou-me a idade. Ao responder 33, ele, num tom, inusitadamente, profético, disse que era um ano especial na vida da pessoa. Pus a maior fé nisso e tem feito sentido, viu? Diante disso, vou (na maior caradepaulo) adiar meu réveillon pra junho desse ano. Até lá, bienvenu 2012!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CARA DE JILÓ

Oi! Ainda tem alguém aí? Eu sei. Cometo o pecado mais hediondo que um (pretenso) blogueiro pode cometer: a infrequência. Mas a vida anda louca (ou serei eu?). Mil coisas a fazer, a dançar, a correr, a conquistar...Quanta sede! E pra ajudar, a criança aqui quebrou um osso da mão e vai amargar mais 3 semanas de gesso (além das 3 já cumpridas).

Quando soube que teria que engessar o braço, pensei logo: não vou poder dançar as coreografias de fim de ano no baile da Incomodança (onde faço minhas sagradas aulas de dança de salão). Aí, fiquei mais triste ainda. É o seguinte: eu nunca sei porque me meto a participar dessas danadas apresentações (dada minha timidez e minha facilidade pra errar as coreografias), mas sei que é bom me desafiar assim. E no final é uma festa só.

Com a patinha esquerda imobilizada (detalhe: sou canhoto), fui logo avisar meu querido professor pra arrumar alguém pra me substituir. Mas, ele, o doidão do Mauro, me respondeu logo que se eu não estivesse com dor, queria que eu dançasse assim mesmo. E eu, tão doidão quanto ele, topei.

‘Bora dançar! Uma salsa deliciosa com o grupo e um samba com a Leiloca. Com o figurino incrementado (essa pulseira branca no braço esquerdo), o primeiro dia de apresentações foi ótimo: errei a coreografia de salsa e no samba o chapéu caiu, tropecei, os óculos voaram longe e eu me diverti pra caramba. No segundo dia, tudo certo! Mais feliz ainda! Para além do esforço de dançar com o braço engessado, sempre tem a torcida dos colegas da dança pra tudo dar certo (uma energia super do bem), as coreografias eram super divertidas (pelo menos pra mim, que estava lá dançando) e tinha amigos dançando juntos (quer melhor?). Barato total!

Pra ajudar passar esses dias chatinhos (e logo logo, se Deus quiser, vou estar bom) dançar foi meu antídoto, sem contraindicações, funcionando melhor que antiinflamatórios e analgésicos.

Um viva ao Deus da dança (ou ao meu Deus que dança)!

P.S.: Cara de jiló é como está a minha por ter ficado tão ausente aqui no blog (prometo assiduidade em 2012) e é também o nome do samba que dancei com a Leiloca, uma dançarina incrível, generosa e que em alguns momentos teve que dançar por nós dois. Meu “brigadim” pro meu cunhado (que me buscou no baile de madrugada, feito adolescente, debaixo de um toró). Mías Gracias Leila, Gabi (outra fofa que dança lindamente) e Gui (canalha e amigão), que além de serem companheiros nessa empreitada, viajaram algumas noites pra me devolver aqui em casa. Valeu!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011



E PONTO

Eu posso até ser lento, mas não gosto de projetos inacabados. Não gosto das coisas pela metade. De atébreves que deveriam ser adeus. Da dança que termina antes da música. De livros lidos até o meio. A menos que seja isso. Fazer do meio do caminho, o fim. Isso sim. Mas eu gosto do ponto final, mesmo que seja no meio da frase. Aí eu termino pra começar de novo...
CLOWN EM MIM

Me disseram que tenho Síndrome de Clown. Achei isso bonito. Falavam de uma certa mistura de natureza melancólica e bom humor... Disseram também que tenho uma boa cara pra palhaço. Que minha sobrancelha tem vocação para tal. Não, não foi um comentário jocoso ou ofensivo. E ainda que fosse pra ser, não teria sido. Eu sempre me encantei com aquela figura triste que fazia os outros sorrirem.

Por ocasião do Festival Mundial de Circo, em Belo Horizonte, pude assistir ao espetáculo do palhaço argentino Tomate. Incrível. Engraçadíssimo. E dramático. Ao final do show, ele tirava, ritualisticamente, toda a pintura do seu rosto. Se desnudava em toda sua melancolia... Comovente!

Ontem, assisti ao filme O Palhaço, do Selton Mello. Um belo filme. De uma singeleza emocionante. Ri frouxo e chorei também (caixa d’água que sou). Lá está o palhaço às voltas com sua dicotomia mais essencial. Procurando, procurando, procurando...

É assim, como disse o Puro-sangue ao Pangaré: o gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço.

domingo, 9 de outubro de 2011

PARA GABRIEL

Outubro de 1995,

Estamos esperando ansiosos por você. Você veio de surpresa e sei que vai mudar completamente nossa vida. O mundo anda bem complicado, cheio de mazelas e tristezas. Mas tem muita coisa boa do lado de cá também. Tem pé de jabuticaba, praia, dias de sol, chocolate, música e pessoas. De todos os tipos. Você vai encontrar muitas que vão mudar sua vida.

Seus pais vão fazer de tudo por você. Por vezes eles serão bem chatos. Mas assim são os pais. Eles vão te amar incodicionalmente. Sua avó não vai fugir à regra. Vai te deseducar e deixar você fazer o que quiser. Volta e meia vai te aborrecer também. Mas te amará muito. Eu vou ser seu padrinho e você vai me chamar de Didi, depois só Di. Pode ficar metido cara, eu vou ser um super-padrinho e você vai ser doido comigo (e eu com você também). É bem verdade que não vou te dar mole, porque senão você folga. Além do que, você vai me dar um certo trabalho: vou aprender a trocar fraldas de cocô, fazer mamadeiras, vigiar seu sono, fazer pára-casa e por aí vai...
A família é grande e você vai ter muitos amigos.
Se liga, tem gente nesse mundão que não é tão bacana quanto parece. Um pouco de cautela não vai te fazer mal.

De anjo, você vai ter o nome. Porque vai ser uma criança bem levada e muito saudável. Vai ter catapora e olhe lá. Vai pra escola sem chorar, e depois vai ter um pouco de preguiça de estudar. Vai ser um cara popular, mas vai deixar sua mãe descabelada com aquele boletim cheio de manchas vermelhas. Mais cedo ou mais tarde, você vai acertar o rumo.

Você será louco por futebol. Eu, sua mãe e sua avó vamos tentar te fazer atleticano, mas você vai bandear pro lado do seu pai e ser cruzeirense. Que chato! Vai ser bom de bola e nos finais de semana seu pai vai sempre te levar pra jogar uma pelada.

Talvez você suma na praia, talvez a gente caia de uma cachoeira. Tudo vai dar certo no final.

Você vai ter uma cor de fazer inveja e um nariz que não funcionará muito bem. Vai usar aparelho pra corrigir os dentes e seu cabelo... foi mal.

Lá por volta de 2011, quando fizer 16 anos, você já vai ter conhecido quase todo o nordeste brasileiro em viagens de férias onde a gente vai se divertir muito. Pra meu desgosto, vai ouvir músicas muito estranhas. Vai ter até uma namorada. Ah, já vai ser maior que eu. E também vai pegar roupas minhas emprestadas. Vai querer usar o meu barbeador e vai continuar me chamando de Di. Vai ser um bom menino. E quiçá um grande homem.

Lá por volta de 2011, te direi mais uma vez da alegria e do orgulho de ser seu tio e padrinho. Seja bem vindo!

domingo, 28 de agosto de 2011

MENOS CONTROLE, MAIS DIVERSÃO

Enfim, férias! Que maravilha... De mala prontas, me mandei pra Buenos Aires. Não sem antes pegar um dos meu mil caderninhos e anotar todos os lugares que queria ir, endereços, telefones úteis, o que queria comprar, as encomendas, etc, etc ,etc... Dia 1: perdi meu caderninho. Que puxa!

Clic! Eu e minha irmã, a companheira da viagem mais louca por fotos que existe, passeando e clicando tudo na capital portenha... Dia 2: Numa cagada espetacular (perdoem-me o termo chulo) apaguei todas as fotos...Mil vezes, que puxa!

Então, vamos lá Paulo. Você já aprendeu a lição: relaxa...respira fundo...e veja o ponto de luz que se aproxima de você...ouve a música a Enya? Não, não é pra tanto. Fato é que já aprendi que, incidentes, quando acontecem, devem fazer parte da viagem e virar mais uma história pra contar sobre ela. E, mais que isso, aceitar que o Sr. Certinho erra e faz bobagens (administrar as próprias falhas exige um talento...). E que também é bom deixar as coisas acontecerem, sem tanto planejamento e organização. Pode ser mais divertido.

Foi assim que o resto da viagem transcorreu. Claro que minha irmã exigiu o repeteco de alguns cliques, mas, me diverti e aproveitei pra valer. A cidade continua linda e interessante, com seus cafés, livrarias, praças, milongas e muita história por todo canto. Eu quero fazer o tri e aceito convites...No mais, hasta luego Bs. As.

P.S.: Providenciei um novo caderninho na Papelera Palermo (um parque de diversões), porque menos controle não significa nenhum, né?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

P-A-I

Ele era só um garoto de quase 13 anos e seu pai morreu. MORTE, essa palavra medonha ainda nem tinha tamanho pra ele. Então, guardou o vazio que sentia num baú e trancou no porão. Deixou por lá as boas lembranças e as péssimas também. Fez vista grossa pra poeira e deu por resolvida a questão.

Tardou, mas, um dia percebeu que nada adiantava trancar aquele vazio imenso num baú tão pequeno. E, lá dentro, encontrou óbvias constatações: ele se tornou um homem bem diferente do pai, ele realmente não tinha talento pro futebol (mas continua Galo), ele puxou mesmo foi o gênio da mãe... Encontrou perguntas que ficariam para sempre sem resposta: será que o pai teria orgulho dele, será que eles se dariam bem e outros mil serás... Revirou a mágoa de não tê-lo por perto (até mesmo para poder confrontá-lo de igual pra igual, se é que isso seria possível). Encontrou num canto esquecido o orgulho do menino que vê no seu pai um herói e a herança maior que um homem (sem instrução) poderia deixar: o valor da educação.

Baú aberto, o homem-filho-sempre menino tratou de deixar aquele vazio ocupar o espaço que lhe era devido. Certo de que essa história, assim, dessa forma, o trouxe até aqui e fez dele quem ele é hoje, pôs uma foto no porta-retrato pra encarar aquele homem como quem diz: a gente se acerta.

FELIZ DIA DOS PAIS!


P.S.: Para meu cunhado, que recentemente esteve às voltas com o baú de lembranças do seu pai e que a seu modo vai tentando acertar no exercício da paternidade.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

PARABÉNS, EU!

Mais um aniversário chegou (e passou) voando. Vou falar baixinho, só entre nós: 33.

Tenho pensando que não adianta correr contra o tempo, que o negócio é correr a seu favor. Eu sei que o tempo traz e deixa marcas nem sempre visíveis a olho nu. Mas há que se aproveitar o que ele traz de bom.

Conforme o bendito vai passando, estou ficando mais íntimo de mim mesmo (o que não é nada excepcional), mas tô conseguindo, cada dia mais, encarar e reconhecer o cara que vejo no espelho. A reboque disso, mais consciência do que quero, do que posso e do que suporto. Menos pudor em dizer sim e dizer não. Mais verbo e menos silêncio. Mais fé e menos dogmas. Mais vontade e mais coragem. Menos timidez e mais caradepaulo. Então, permitam-me a sem-vergonhice do autodesejo: Parabéns, eu!

P.S.:Um amigo me disse que 33 anos era uma data especial (talvez tenha insinuado ser uma data mística) e que nesse ano algo marcante aconteceria. Bom, ele disse isso com um astral muito bom (o que lhe é comum). Eu não titubeei e tô acreditando piamente em boas novas...

domingo, 12 de junho de 2011



A ÓBVIA ULULANTE

Em alguns momentos da vida, geralmente diante de situações extremas, como a perda de alguém próximo ou um problema grave de saúde, a gente se dá conta de como a vida é curta, de como somos criaturas frágeis e finitas, de como perdemos tempo com pequenices, de como cultivamos mágoas vãs.

É bem verdade que esses momentos duram pouco, mas pelo menos a gente se toca de como gasta tempo com o desimportante. Talvez mais tempo do que gastamos com o que é essencial. Os filósofos de botequim diriam: o que importa é o que interessa.

Tenho pensando sobre isso: gastando tempo com miudezas, não percebemos a felicidade acontecendo na nossa cara. Ululante. Óbvia. Olha a vida passando e nós esperando pelo grande evento da felicidade. Nem viu que já foi ou que está sendo.

Naquele filme muito legal chamado Sideways – Entre umas e outras, (se você for ficar fulo porque eu vou contar uma parte importante do filme, não leia este parágrafo) o cara, amante de vinhos, fica esperando por um grande momento pra tomar seu vinho mais especial e quando se toca, bebe o tal vinho numa lanchonete, sozinho e feliz, comendo um hambúrguer.

A felicidade pode estar nas pequenas coisas banais, com disse Mary Figueiredo Arantes. Eu faço coro. Happy hour com grandes amigos, elogio inesperado, dançar a noite toda, tarde de domingo com boa companhia e torta de chocolate podem ser momentos plenos de felicidade. Sempre alerta?

domingo, 22 de maio de 2011

ELA VAI LONGE

Ela, nesse caso, é minha mãe.

Como zilhões de pessoas, teve um caminho cheio de percalços. Mas, teve também muita alegria e jogo de cintura pra seguir caminhando. Perfeita até nas suas imperfeições, como quase toda mãe, ela me enche de orgulho.

Da infância ao casamento, sua vida daria um livro. Às vezes alegre, às vezes triste. Mas isso é outra história. Fato é que ela ficou viúva muito cedo, e, um certo dia resolveu aprender dança de salão. Bestas que só, eu e minha irmã achamos uma bobagem. Mas ela foi lá, aprendeu e aprende ainda hoje. (Por minha vez, paguei língua e hoje eu é que sou alucinado por dança).

Depois resolveu estudar. A 4ª série primária realmente era pouco pra ela. Algumas colas depois e uma certa lábia nos professores, completou o ensino fundamental.

Com uma disposição invejável, passou a frequentar o grupo da 3ª idade. Lá joga boliche e lanceball. Às vezes o ombro sai do lugar e minha irmã tem que buscar a mãe travessa com “cara de cachorro que caiu da mudança” no hospital, mas tudo bem... ela é disciplinada e sempre cumpre as sessões de fisioterapia.

Então, resolveu se dedicar a uma nova empreitada: a carteira de motorista. Vejam só, aos 63 anos de idade foi atrás da sua habilitação. Como ela gosta de frisar, era dia de Nossa Senhora de Fátima (que deu aquela forcinha) a sexta-feira em que ela me ligou e perguntou se eu estava sentado. Pensei logo em coisa ruim. Mas ela não se continha de alegria pra me dizer que tinha sido aprovada no exame de direção. Agora já faz planos para comprar o próprio carro.

O que me resta se não ficar orgulhoso? Um pouco de preocupação. Se ela não para quieta nem a pé, imagine de carro... Mas, sim. Sinto orgulho de ver essa mulher forte se colocando diante de desafios e superando-os um por um. Sei que posso falar por mim e pela minha irmã: minha mãe é inspiradora e nos emociona por ser.

É uma pena ela não ler este post, porque não tem a menor intimidade com o computador e a internet. Por enquanto...

Alguém duvida?

domingo, 15 de maio de 2011


PELO SABOR DO GESTO

Dias atrás ganhei alfajores Havana, diretamente de Buenos Aires, de uma pessoa muito bacana que conheci há pouco tempo. Fiquei com um sorriso bobo estampado na cara. Passados alguns dias, ganhei mais alfajores de outra pessoa também muito legal (num daqueles dias nublados em que um carinho cai muito bem) e, surpreendido, fiquei feliz da vida.

Não tenho dúvidas de que os pequenos atos de delicadeza e gentileza, como esses, fazem a vida ficar mais bossa nova. Eu adoro chocolate, mas delícia maior tem o sabor do gesto.

sábado, 30 de abril de 2011


SOLAR

E porque num dia como esse, SOLAR, tenho certeza da minha vocação pra ser feliz. Dias cinzas me doem mais pra passar (apesar de regarem minha melancolia). Mas hoje fez um dia daqueles de sol e vento em que você quer respirar fundo e profundo pra encher tanto o pulmão até ficar mais leve que o ar. Em dias assim, se eu pudesse, faria uma música ou um poema...

domingo, 3 de abril de 2011

POR ACASO

Permitam-me soltar as rédeas e acreditar romanticamente no acaso. Não quero a condenação do destino já traçado, nem as conseqüências das minhas escolhas e ações. Ao menos por hoje quero a sensação de acreditar na sorte, no aleatório, no imprevisto, na surpresa. E nem me importa se o que quero não é tão casual assim porque nasce de um desejo meu. O que importa é que não quero pouco. Quero um bom acaso. Uma paixão por acaso, uma ideia brilhante por acaso, a minha música tocando por acaso. Quero muito sim! Quero só o bom da festa sim! E daí?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

POR UMA BOA SEMANA

Saudades de uma amizade que se foi sem adeus. Tristeza por uma amiga que ficará mais distante. Uma notícia ruim. Pequenas chateações profissionais. E a Amelie, pequena vira-lata e mascote deste blog, que tristemente não está mais aqui... Semaninha pesada de carregar, custou a passar.

Mas esse é o jogo. E a gente vai "nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar", como cantou a Elis.

O domingo foi um dia claro. De sol, céu azul e vento. O arauto de uma nova e boa semana...

P.S : Um causo canino.
Todos os dias quando chegava em casa à noite, ao abrir o portão eletrônico, apesar dos meus avisos de proibição, Amelie saia pra rua pra bandear. Vira-lata que só! Um dia, irritado, fechei o portão na cara dela quando ela voltava. Segundos depois ao abrir o portão, ela me olhou com desprezo (como quem diz: babaca) e entrou sem dar a menor confiança... Faz falta essa companhia animal!

domingo, 2 de janeiro de 2011

UMA DANÇA PRA 2011

Foi aqui mesmo que eu disse, certa vez, sobre como a dança de salão me faz bem. Como é divertido. Como é prazeroso. Como a experiência de dançar extrapola os limites do salão.

Pois é, ano passado (2010 já é um ano passado!) no baile de encerramento do ano, nós dançamos. Um samba. Vestimos uma camisa listrada (Ok, Guilherme. Ficou bem legal!) e saímos por aí, de chapéu Panamá e tudo.

Roberta Sá pra inspirar. Mauro Fernandes pra coreografar. Sylvinha pra ser meu par. Gui e Silvia pra acompanhar. Alessandra, Igor, Carol, Lucas e ‘bora ensaiar... (viva a rima pobre!)

Alguns contratempos depois e com a presença da sensacional Bela, lá fomos nós... Foi muito legal! Só que eu errei uma parte da coreografia. Acho que quase ninguém percebeu, mas é claro que a gente quer sempre acertar. Depois minha autocensura me condenou a 100 chibatadas, mas, lá na hora, juro que não teve importância. O “querido professor” já tinha advertido: acertar ou errar faz parte do show, o negócio agora é se divertir! E foi o que aconteceu. Eu e a Sylvinha, demos risada e fomos até o fim, felizes da vida...

Dito isso, fiquei pensando em acrescentar meus desejos de ano novo no “Manual de Autoajuda da Dança de Salão”: Que a gente sempre acerte, mas se a gente errar (acho que é inevitável), que sejamos generosos conosco e possamos usufruir do erro. Que possamos correr bons riscos e que a gente se divirta muito!

Concede-me essa dança? FELIZ 2011!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

DESVIO DE SEPTO

Há quase dez anos atrás, nos tempos da Escola de Design, fiz um trabalho na oficina de modelagem que consistia em fazer uma máscara tendo como modelo o próprio rosto. Um infeliz colega de sala que fez o molde de atadura gessada em mim, disparou: você tem desvio de septo. Trauma! Como pude não perceber, durante tanto tempo, que tenho o nariz torto? (Dos males o menor, pelo menos ele funciona bem.)

Naturalmente, esse é só um detalhe físico. Para além disso, será que a “imagem” que tenho de mim corresponde a quem eu realmente sou? Não é nada fácil saber quem exatamente a gente é, mas faço essa indagação porque, como observador esforçado que sou, percebo gente anunciando aos quatro ventos suas (geralmente boas) características e eu, ruim das vistas, não vejo nada daquilo na criatura.

Tem quem se diz super desapegado, mas é ciumento e possessivo. Outro que se esforça para demonstrar sua maturidade e segurança e é um carente profissional. O que se acha super “muderno”, mas não suporta a diferença. Aquele tão evoluído e leve mas que tem sempre uma negativa na manga, e por aí vai...

Muitas vezes uma pessoa pensa que dizer o que ela acha que é supre a necessidade dela realmente ser. Invariavelmente seu discurso vai ser confrontado com seu ser real. (Que maluquice a minha!) No meu simplismo, acho que o melhor é falar menos. Assim, na miúda, talvez seja mais fácil se perceber, se conhecer e se reconhecer como você é. Aí, talvez, até um desvio de septo não lhe pareça tão mal...